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Poesias da Perdição

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Esse ano do passado perdi minha agenda no pecado da São Paulo e seu fado desgraçado.
60 poesias que hj nem me agrado ter uma recordação... Das melhores que fiz na vida...
Hoje tô sem perdão ter perdido a escrita... E a melhor ocasião.
2019 são essas que tenho então:

OBSSESSORES


Inalteráveis locais transformaram minha malícia
E a delícia da vida n
ão se dá em qualquer lugar

A fase de ser

Estar
Passar

Viagens a propagar

Transformam graça da vida
Às vezes a regaçar
Desgraçar de ímpetos
Espíritos

Sim, enfreitei-vos já!
Agora me resta em hora
Não tê-los em meu lugar.

------------------------------------------------------

COMEDOR DE CABEÇAS


Virei ladrão qualificado
Só não bato tua carteira
Mas sua porta abro.

Meu Vacilo Confirmado

Desculpo-me por manter a poesia do lado
Com o erro de português criado
Pela minha ignorância em não saber

Livreto original:


Ratatatatatata! Ébrio e Consciente.

domingo, 20 de maio de 2018

Sobe e desce de malote e peça
Sem reza sem prece
Que parada é essa?
Respeito respaldo fortalece a panturrilha
Engrossa o caldo, cresce a pilha
Um monte de papel timbrado trocado
Me conte! É no varejo ou atacado?
Compromisso assumido: compromisso honrado
Pegou levou. Não pagou
B.O. abraço

Faço como tem que ser
Espaço pra correr, o que tem que fazer
É tudo sempre igual pra mim ou pra você
Por que ?
Vacilou dançou sobrenatural
O que?

Speedfreaks criado na street sem o código
Estilo de concreto
Cimento
Filho pródigo
Na pista não insista sou imortal
Essa via é mão única,
Monaural.

Inspirations (L)

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A IMAGEM DIVINA
Por Clemência, Piedade, Paz e Amor
todos rezamos na aflição;
e para tais virtudes deliciosas
se volta a nossa gratidão.
Pois Clemência, Piedade, Paz e Amor
é Deus, nosso pai adorado;
e Clemência, Piedade, Paz e Amor
o Homem, Seu filho e Seu cuidado.
Pois a Clemência tem um peito humano,
e o Amor forma humana celeste,
e um rosto humano tem a Piedade,
e a Paz exibe humana veste.
Assim todo homem, pelo mundo afora,
que reza em sua humana dor,
pede só à divina forma humana
Clemência, Paz, Piedade, Amor.
E amar a forma humana devem todos,
sejam pagãos, turcos, judeus;
onde habitam Clemência, Amor, Piedade,
ali também habita Deus.

ELEVAÇÃO
Por sobre os pantanais, os vales orvalhados,
As montanhas, os bosques, as nuvens, os mares,
Para além do ígneo sol e do éter que há nos ares,
Para além dos confins dos tetos estrelados,
Flutuas, meu espírito, ágil peregrino,
E, como um nadador que nas águas afunda,
Sulcas alegremente a imensidão profunda
Com um lascivo e fluido gozo masculino.
Vai mais, vai mais além do lodo repelente,
Vai te purificar onde o ar se faz mais fino,
E bebe, qual licor translúcido e divino,
O puro fogo que enche o espaço transparente.
Depois do tédio e dos desgostos e das penas
Que gravam com seu peso a vida dolorosa,
Feliz daquele a quem uma asa vigorosa
Pode lançar às várzeas claras e serenas;
Aquele que, ao pensar, qual pássaro veloz,
De manhã rumo aos céus liberto se distende,
Que paira sobre a vida e sem esforço entende
A linguagem da flor e das coisas sem voz!

Para nós, só havia um dever e um destino: chegarmos a ser perfeitamente nós mesmos, conformarmo-nos inteiramente à semente da natureza em nós ativa e vivermos tão entregues à nossa vontade que o futuro incerto nos encontraria prontos para tudo que pudesse trazer consigo.

Máscaras
Piedade para estes séculos e seus sobreviventes
alegres ou maltratados, o que não fizemos
foi por culpa de ninguém, faltou aço:
nós o gastamos em tanta inútil destruição,
não importa no balanço nada disto:
os anos padeceram de pústulas e guerras,
anos desfalecentes quando tremeu a esperança
no fundo das garrafas inimigas.
Muito bem, falaremos alguma vez, algumas vezes,
com uma andorinha para que ninguém escute:
tenho vergonha, temos o pudor dos viúvos:
morreu a verdade e apodreceu em tantas fossas:
é melhor recordar o que vai acontecer:
neste ano nupcial não há derrotados:
coloquemo-nos, cada um, máscaras vitoriosas.

Rio,
Eis a questão.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016



Eu via no cartão postal,
Um Rio sem igual.
Natureza divina, 
Sabedoria absurda nas esquinas 
Meu desejo de menina,
Desde Campos dos Goytacazes,
Índios eficazes;
Os maiorais do Brasil.
Agora, eu ainda Rio, 
Sem ao menos ter espiado
Como é meu desfeito berço.

II
Deparando com o desamparo global
Hierarquial, desaestrutural:
Um erro substancial
Tal marginal do torpor
E, Deus!
Um fedor!
Que absurdo,
Um horror.
No Rio que só está beleza, 
Nas costas do Redentor.
Clamo
Ao Jesus em pavor!

III
E eu quem vinha estudar,
Achando,
Ah, uma bela menina... 
Posso muito bem me achegar,
Aspirar e usurpar, 
Como fazia c'os caipiras...Porém,
Modifica,
E sacrifica a história
Que o Rio onde fecharam as portas
Não existe mais A questão,
Gentileza, então;
Educação!?
Mérito das idolatrias de anfitrião
Que por outros torna-se-ão
Caricatura figura do otário,
Já não são mais Cariocas.
E sim,
Idiotas.

IV
Pois;
Valor, se há,
Esgota.
Num centro que não rirá,
E nem riria...
Mar onde o esgoto brota,
Deturpando hombridade 
 Ao tóxico
Lugar
Lapada das almas 
Extirpadas e perdidas 
Nos labirintos de conquistas 
Severas derrotas,
Solidão,
Ah, 
E depressão.

V
Rio,
Preciso conhecer-te então.
Nos vícios das minhas versões
Jargões;
Confusões
Pobre, ignorante em paixões
Vou ceder-te em razões

- Quero provar onde é que estão.
E quem sabe por alguns momentos
Observar com porcentagens de orgulho
Retidos, retidas, 
Retinas, 
Memorial primordial
Das memórias
Tonalidades dos maiorais,
Caetaneidades, ao que colora
Todo choro, 
Seus carinhosos
Calo dos Chicos que vem de fora.

Vi
E, talvez,
Sem espelhos de outrora
Conquisto-lhe
Oh, 
Espírito da glória
Da sua natureza bela
Em toda a sua vastidão.
Rio,
Farei a questão.
Encarar 
Pejorativa do povão
Vulgar vulgo da história
A dita_d/tu(r)a 
Babilônia.
-

Tipo Colombia

quarta-feira, 24 de agosto de 2016


Dizem que o Kafka explica
Quando nos tornamos baratas imundas
Tecendo argumentos pra solidão.

Sinto o cheiro do meu Edward pelas ruas
Gasolina.

Maldito perfume em todo o lugar!

E volto-me a pequena barata só,
Sem ele por perto...


Tendo penas Edward em mente
Ouço um Argentino perguntar se sinto saudade
Da minha terra...

ARTE!

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Às vezes, encontramos pais que ficam mais animados quando seus pequenos brincam com Legos ou ficam montando robôs de plástico. Eles falam, "Não toque. Papai vai fazer isso por você." O garoto já perdeu o interesse e foi procurar outra coisa, mas o pai sozinho constrói castelos. Isso mostra que os impulsos artísticos dentro de nós são suprimidos, mas não desapareceram. Muitas vezes, isso pode revelar-se negativamente, sob a forma de ciúme ou inveja. Você conhece a canção "Eu adoraria estar na TV"? 
Por que nós amamos isso? TV está cheia de gente que faz o que queremos fazer, mas nunca conseguimos. Eles dançam, eles cantam - e quanto mais eles fazem, mais recebem elogios. Então começamos a invejá-los. Tornamo-nos ditadores com um controle remoto a começar a criticar as pessoas na TV. "Ele não pode atuar." "Você chama isso de cantar? "Ele não acerta as notas." Nós facilmente dizemos esse tipo de coisa. Nós temos inveja, não por que somos maus, mas por que temos pequenos artistas reprimidos dentro de nós.



Been an artist
Be an artist was a very big problem in my life.
Now I get it. And finally can I assume: Yes I’m an artist.
But why I never consider this? This obvious and clearly likely reality in my life?
I dont know how I was so weak, but something in my past, reveal the most significant answer for that question.
My fucking culture!
This sad fact was cluttering up my way, and made me a little confuse for a  bit (Just a  bit? God, how long can life be?)
I suffered all the injuries which we are getting used too...

Putting one final point in this big question of my (and of course, others) lifes,
I came from the people from the south of Brazil. A amazing place to appreciate nature. The Oeste. And to  interconnect with another kind of culture: Native \ Spanish people from the border.

My family has always considered being an artist, a kind of crime against the natural way to do things in society. It was like, kill yourself as a citizen on the place.
I never understood from this sight, and needed develope an better and beautiful object from the expression of myself, just to have part from this primitive power, to say:
"When you’re an artist.
Youre an artist".
And this is not a «clue», or the discussion of a third person about who you are or they think you need be.
Not even money, or social status will take you away to that path marked inside your body. 
Juts because now I assume, I’m an artist, and think... Everyone has to get free from that old denial and to have this power to assume his lives with consistency state:

"I FUCKING an artist"

Maybe its too crazy to you people.
But inside a head of an almost 27 years old woman, who havent been acceptance - (for otherwise, didn't accept things too) for persons of which relate mein the society,
Some one coming for a poor class, with no big studies skill graduated, white as death (People consider my type, as a rich snob girl)...
My head is lead by a flame, I turn my soul for this rich energy, and everytime I think in my focus, and I believe im going to the right side.

I’ll show some (more) art, soon,

You Learn

domingo, 17 de abril de 2016





 VOCÊ APRENDE 

(Veronica A. Shoffstall)
almost a unknow girl





Depois de algum tempo você aprende a diferença, 
A sutil diferença entre dar uma mão e acorrentar uma alma, 
E você aprende que amar não é apoiar-se 
E que companhia nem sempre significa segurança, 
E começa aprender que beijos não são contratos, 
E presentes não são promessas. 

E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, 
Com a graça de um adulto, e não com a tristeza de uma criança 
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, 
Porque o terreno de amanhã é incerto demais para os planos, 
E o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. 

Aprende que falar pode curar dores emocionais 
Descobre que se leva anos para construir uma confiança 
E apenas segundos para destruí-la. 
E que você pode fazer coisas em um instante, 
Das quais se arrependerá pelo resto de sua vida. 

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer 
Mesmo a longa distância, 
E o que importa não é o que você tem na vida, 
Mas quem você tem na vida. 
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. 

Aprende que não temos que mudar de amigos 
Se compreendermos que os amigos mudam, 
Percebe que o seu melhor amigo e você 
Podem fazer qualquer coisa ou nada 
E terem bons momentos juntos. 

Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que o ame 
Não significa que esse alguém não o ame com tudo que pode 
Pois existem pessoas que nos amam 
Mas simplesmente não sabe como demonstrar ou viver com isso. 

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém 
Algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo 
Aprende que com mesma severidade com que você julga 
Você será em algum momento condenado. 

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, 
O mundo não pára para que você o conserte, 
Aprende que tempo é algo que não pode voltar para trás, 
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, 
Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. 

E você aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte, 
E que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. 
E que a vida realmente tem valor, 
E que você tem valor diante da vida. 
E você finalmente aprende que nossas dúvidas são traidoras 
E nos faz perder o bem que poderíamos conquistar, 
Se não fosse o medo de tentar... 

(1971)





Um Dia Você Aprende que...Você Aprende ou Depois de um Certo Tempo são títulos para um mesmo hoax, um texto que circula pela internet com indevida atribuição de autoria .[1] Trata-se de um texto de Veronica A. Shoffstall, que o escreveu aos 19 anos, no livro de formatura (yearbook) de sua escola, ao terminar o highschool(equivalente ao Ensino Médio, no Brasil).

Eins und Alles & Aussöhnung: Goethe

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Eins und Alles
(Um e tudo)

“Para se achar no Ilimitado
Some o indivíduo de Bom Grado
Lá, onde cessa o que é maçante
E sem desejo ou volição,
Sem exigência e obrigação
Todo se dar, já lhe é bastante

Vem e nos vara, alma do mundo!
Pois que a lutar contigo a fundo
Vai-se empenhar nossa energia.
Guiar-nos-ão as boas mentes
Dos grandes Mestres complacentes
A quem criou tudo e ainda cria.

A transformar as criaturas,
Para impedir que se armem duras,
Age o fazer eterno e vivo.
O que não foi quer ser, a instantes,
Límpidos sóis, chãos cambiantes.
Em caso algum fica inativo.

Deve mover-se, obrar criando,
Tomar sua forma, ir-se alterando.
Momento imóvel é aparência.
Na eternidade em disparada,
Que tudo arruína e leva ao nada,
Somente o ser tem permanência.”


Reconciliação

Com a paixão vem a dor! - Quem te consola,
Aflito coração, da dor infinda?
Onde o tempo fugaz que já se evola?
Eleito em vão foste à visão mais linda!
Turva-se mente, as intenções confundo;
Aos sentidos se esquiva o excelso mundo.

Música, nisso, adeja a entrelaçar
Milhões de sons, com asas angelicais,
Que, ao na essência do homem penetrar,
Vão de eterna beleza o enchendo mais:
Já o raso olhar anseia alto destino,
Dos sons e choros o valor divino.


E o coração mais leve já garante
Que ainda vive e palpita e quer então
Retribuir o presente exuberante,
Batendo de bom grado em gratidão.
Que aí se sente em dobro - e eterna seja!
De amor e sons a sorte benfazeja.


Srtª No One

domingo, 27 de setembro de 2015


Diferenças são apenas objetos, minha Cara.
Como estes tão próximos, porém, em absurdo contraste, Pais do distanciamento de tudo o que é essencial.
Ahh, como queria poder a liberdade de imaginar com total fé, que o caminho é menor do que o entendido. E que, sim! Eu poderia mensurar..

Obsessores.

Tendo os objetos, estes que aqui estão, o efeito da mão do homem que empoleira o pássaro...
Objetos da razão! diria Kant. Ah, e por favor, Kant! Literatura pra 7º série. Já lhes digo à todos  e generosa considerem-me, na tamanha humildade contida na crítica desse sistema  ver-go-nho-so.

Eu não sei Português. Nem ao menos lia as horas! Mas pensava em tudo o que se pode pensar. E nos exatamente mesmos instantes que qualquer um outro também dispusesse o acesso de encontrar-se... Sobrevivendo das minas, fontes, buscas aleatórias, curiosidades pertinentes.. Ciência... Presente, passado e futuro simultaneamente sem noções de absurdos - Dimensões de outro alguém.
Seria eu uma burra, mal caráter e sem valor na terra...???
Sendo que por hora, minha doce Cleópatra, nem me conheces.


Amis Renard

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Lâmina Afiada

Por entre os átomos do tomate,
Desce a lâmina com vontade
Até pra fechar pastel o povo quer a verdade
E quando surge a questão,
 Não uso tuas "frescuragens"
Em teu Santo dou só uma
(que Deus lhe proteja a imagem) 

Só é terroso o vazio
Resultado e significado...
Pois, entre os átomos do tomate; 
Na conversa e na vontade

Eu desconto os problemas,
E como o spoiler da novela
Disparo que tu dá o rabo.

- Amis Renard

Homem Moderno

Destro em bulir a superfície das coisas
Em benefício de enganar e enganar-se,
assim,
Por cunho e emprego de significância,
Vens com disfarçada ignorância,
Mover mundos e fins.

Homem moderno, ignorante de si,
Incompetente no que pensa do agora,
Fazendo caricatura Senhora;
Mediocrizando-o em crer pôr forma,
Ridente,
Satisfeito com o momento
Em fragmentos de anódino fundamento.
Desconhece o poder da ilusão.

 Qual valor,
Eu espectador, então,
Sem o abraço de algum outro irmão
Em momentos de solidão
 Vivos em tristezas,
 Memórias e saudade

 E que permeiam minha mente
Com impotente sensação,
Nada esperar destas capacidades
Pra que eu jamais traia a realidade
Zele o vacilo à iniquidade.


Entrego-me
Vou.
E a alma à simplicidade,
Fugindo de tudo com esforçado esmero,
Fazendo tudo à consciência
Nunca julgar Viver
Quão ridículo erro.


Porto Alegre
Setembro, 2015

Bellu Sepukku

O que queres fazer da vida,
Oh pessoa saudável e capaz?

- Eu quero expressar, do modo que houver, que bom é
aprender a amar com o amor..
Que não há morte, se não a forma lógica e razoável... 
Vivemos alegrados com o balanço ritmado que só cresce
pelo amor regente do movimento regrado pela compreensão
do estado das coisas ao natural.

Mentira!

Pode ser meu preconceito,
Talvez azar onde apliquei Ser,
É a fantasia quem sofria,
 Uma utopia a estarrecer!

 Não há matemática que impere
Desquantificar quem sei, 
Em raso valor e critério
 E é como a exata sensação que brada:

"Deste buxo gritou o Rei"  
-Que ignorante desgraçada!
Sem suspeita cedi vida
 Pra uma morte encomendada.

Saudável e capaz jovem
que agoniza em meio as traças,
Prazeres?
 Sois a solidão.
Chora à verdade e desgraça!

Não atua,
Não condena
Só sentes a terrosa pena
E o desespero que estilhaça.

E quando retomares a vida
Alcança bendita pena
Ora a tenra penitência
dalgum fraterno amparo
Pega o sono do embalo.

 Sonha,
A sorte
A morte
E a pena

Aceitemos quem condena,
Pois a nenhum fim se advinha cena.

Porto Alegre

 Agosto 2015


Tudo é caminho deixa o bicho

quinta-feira, 10 de setembro de 2015



Tudo é vontade de acertar,,,




A morte é a curva da estrada 

A morte é a curva da estrada, 
Morrer é só não ser visto. 
Se escuto, eu te oiço a passada 
Existir como eu existo. 
A terra é feita de céu. 
A mentira não tem ninho. 
Nunca ninguém se perdeu. 
Tudo é verdade e caminho. 

(Poesias. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1942, 15a Ed., p. 142)

...Tudo, hipoteticamente, no mesmo lugar...

A dor...

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Sinto o peso de um andor
A chuva molhando o cigarro,
Minhas lágrimas,
E o cinza que virou cor.

Nem a mãe inexistente,
Nem o trabalho onipresente
Nada dói tanto,
...O Amor...

Vomitar o chá da cura,
Ou talvez um banho quente
Mas nada!

E que dor, Deus, que dor!

Trocaria minh’alma com a pomba,
Preocupada apenas com a travessia.
Troco nada!
Pobre pomba...
Qual existir se faz valia.

Vivo gemido descontente
Pois eu sei, Caetano mente,
E nas rimas do meu temor
Triste repito impunemente
Ah, que dor de amor!

Diotima Renard

Alberto Caeiro: O Pastor Amoroso I
O Guardador de Rebanhos V // VI

sábado, 7 de março de 2015



Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo.
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima ...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor —
Tu não me tiraste a Natureza ...
Tu não me mudaste a Natureza ...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.
Só me arrependo de outrora te não ter amado.

Alberto Caeiro, em "O Pastor Amoroso" 



Há metafísica bastante em não pensar em nada. 

O que penso eu do mundo? 
Sei lá o que penso do mundo! 
Se eu adoecesse pensaria nisso. 

Que idéia tenho eu das cousas? 
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos? 
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma 
E sobre a criação do Mundo? 

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos 
E não pensar. É correr as cortinas 
Da minha janela (mas ela não tem cortinas). 

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério! 
O único mistério é haver quem pense no mistério. 
Quem está ao sol e fecha os olhos, 
Começa a não saber o que é o sol 
E a pensar muitas cousas cheias de calor. 
Mas abre os olhos e vê o sol, 
E já não pode pensar em nada, 
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos 
De todos os filósofos e de todos os poetas. 
A luz do sol não sabe o que faz 
E por isso não erra e é comum e boa. 

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores? 
A de serem verdes e copadas e de terem ramos 
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar, 
A nós, que não sabemos dar por elas. 
Mas que melhor metafísica que a delas, 
Que é a de não saber para que vivem 
Nem saber que o não sabem? 

"Constituição íntima das cousas"... 
"Sentido íntimo do Universo"... 
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada. 
É incrível que se possa pensar em cousas dessas. 
É como pensar em razões e fins 
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados 
das árvores 
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão. 

Pensar no sentido íntimo das cousas 
É acrescentado, como pensar na saúde 
Ou levar um copo à água das fontes. 

O único sentido íntimo das cousas 
É elas não terem sentido íntimo nenhum. 
Não acredito em Deus porque nunca o vi. 
Se ele quisesse que eu acreditasse nele, 
Sem dúvida que viria falar comigo 
E entraria pela minha porta dentro 
Dizendo-me, Aqui estou! 

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos 
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas, 
Não compreende quem fala delas 
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.) 

Mas se Deus é as flores e as árvores 
E os montes e sol e o luar, 
Então acredito nele, 
Então acredito nele a toda a hora, 
E a minha vida é toda uma oração e uma missa, 
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos. 

Mas se Deus é as árvores e as flores 
E os montes e o luar e o sol, 
Para que lhe chamo eu Deus? 
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar; 
Porque, se ele se fez, para eu o ver, 
Sol e luar e flores e árvores e montes, 
Se ele me aparece como sendo árvores e montes 
E luar e sol e flores, 
É que ele quer que eu o conheça 
Como árvores e montes e flores e luar e sol. 

E por isso eu obedeço-lhe, 
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?). 
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente, 
Como quem abre os olhos e vê, 
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes, 
E amo-o sem pensar nele, 
E penso-o vendo e ouvindo, 
E ando com ele a toda a hora. 



Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...
Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos! ... 


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Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos - Poema V e VI" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 

Power&Equality

sábado, 31 de janeiro de 2015


Knowledge makes a man unfit to be a slave.
Isso aqui é impressionantemente expressivo e não deixarei de aproveitar
esse momento para postar ;)





Achei muito interessante,
Palavras e atitude invejavelmente racionais!




Alberto Caeiro e La Fontaine

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014




O amor é uma companhia. 
Já não sei andar só pelos caminhos, 
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa 
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo. 
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo. 
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar. 
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas. 
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela. 
Todo eu sou qualquer força que me abandona. 

Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.


Os dois pombos


Amavam-se dois pombos ternamente
Com suave meiguice e amor profundo.
Um deles – que loucura! – de repente
À casa toma tédio, quer ver mundo.

«Que vais fazer? – diz-lhe então
Já saudoso o companheiro.
Medita, pensa primeiro,
Assim deixas teu irmão?
Ninguém duvida que a ausência
É dos males o maior;
Não para ti!... Só se for
Que os trabalhos, a inclemência,
E dessa jornada o p’rigo,
Que pretendes arrostar,
Possam teu peito mudar
Em peito bondoso, amigo.
Se mais perto a Primavera
Sorrisse alegre, então... vá!
Quem te obriga a partir já?
Espera o zéfiro, espera.
Há pouco um sinistro corvo
Crocitou, e à nossa raça
Agoirou muita desgraça
Em tom profético e torvo.
Só nas coisas infelizes
Doravante pensarei;
Em redes, falcões, que sei?...
Tiros, flechas e boízes.
Ah! – direi quando chover:
Meu pobre irmão, coitadinho,
Terá ceia, terá ninho,
E tudo o que lhe é mister?»

Esta linguagem branda e cheia de bondade
Enternecê-lo faz;
Teve porém mais força a indómita vontade
Do viajante audaz.

«Não chores; três dias bastam-me
– Já vês que é curta a demora –
Para matar este férvido
Desejo que me devora.
Quando voltar, com que júbilo
Referirei por miúdo
Aventuras, episódios,
Incidentes, tudo, tudo!
Quem pouco vê, é certíssimo,
Que pouco pode contar.
Eu te direi que em tal época
Achava-me em tal lugar,
E tu, enlevado, extático,
De me ouvir falar assim,
Hás-de julgar – asseguro-te –
Que estavas ao pé de mim.»

Assim falou, e em pranto de soluços
Despediram-se os dois. O viajante
A jornada começa. Não distante
Da casa, que fugira, carregada
Ergue-se no ocidente escura nuvem
Que em chuva se desata, e o peregrino
Corta os ares em louco desatino,
Um albergue buscando, uma pousada.
Negro tronco, de folhas quase nu,
Se lhe depara então. Voa ligeiro,
E mal pôde encontrar de triste ulmeiro
Entre a folhagem rara asilo pobre.
Depois, quando outra vez se anila o céu,
Frio, molhado sai do humilde abrigo,
Enxuga as penas, parte, e muito trigo
Espalhado no campo além descobre.

Outro pombo vê perto, e sem detença
Dirige-se p’ra lá.
E quando cuida mais, quando mais pensa
Gozar com seu igual ventura imensa,
Num laço preso está,
Que por mão ardilosa, enganadora,
Por debaixo do trigo armado fora.

O laço era já velho. O prisioneiro
Esforça-se, porfia, teima, luta;
De tal forma trabalha
Co’as asas, bico e pés, que enfim consegue
Quebrá-lo, ver-se livre, muitas penas
Deixando na batalha.

Mas a fortuna má, que o segue, e nutre
Contra o pombo infeliz ódio entranhado,
Já lhe mostra nos ares um abutre,
Que voraz, esfaimado,
Mal o avista, a vontade sente acesa
De lhe deitar a garra e fazer presa.
E o mísero, que traz restos de guita
A cortar-lhe inda os pés,
Um galeote, um criminoso imita
Fugido das galés.

Eis que porém naquele mesmo instante,
Batendo as asas longas,
Das nuvens arremessa-se gigante
Uma águia, e sem delongas
Trava-se entre os ladrões rude peleja
Por lograr cada qual o que deseja.

O pombo, como terceiro,
Aproveita do combate;
Ergue o voo, e só o abate
Quando encontra um pardieiro,
De seu bárbaro destino
Julgando o pobre animal
Que a peripécia final
Era este caso mofino.
Mas um rapaz turbulento
– Não tem compaixão a infância –
Uma pedra com tal ânsia
Lhe envia, que sem alento
Quase o deixa. Maldizendo
A sua curiosidade,
Vai para casa gemendo,
Meio coxo, meio morto,
E sem outra novidade

Chega do ninho ao conforto.